quarta-feira, 15 de junho de 2011

USE, OUSE E ABUSE




"Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.



Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.



Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e paquerar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.



Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.



Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.

Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.



E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.



Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.



Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.



Martha Medeiros

sábado, 11 de junho de 2011

A IMPONTUALIDADE DO AMOR


     Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
    Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?
      Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
     O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
    O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
    A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.
                                                                                          Martha Medeiros

domingo, 5 de junho de 2011

PERDÃO POR TE AMAR DE REPENTE!!!

     


  Filme baseado no romance  Desculpa se te chamo de amor , de Federico Moccia, relata o envolvimento amoroso entre Nikk e Alex. No decorrer da trama o publicitário Alex vai (re) descobrindo o amor a partir da convivência com Nikk, adolescente vinte anos mais jovem , cheia de sonhos e fantasias próprias da idade.
       O que desperta a atenção do espectador além de tratar-se de uma história de amor que supera preconceitos e obstáculos é a presença constante de citações de poetas como Shakespeare, além de frases de outros pensadores e filósofos.
    O publicitário (re) descobre o amor nos braços dessa adolescente com quem aprende o lado doce de uma paixão. A cena final é belíssima e final é o famoso FORAM FELIZES PARA SEMPRE!!!Boa pedida para aqueles que acreditam que um grande amor é capaz de transmitir várias lições.

Socorro Vianna





               Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor

seja uma velha canção nos teus ouvidos

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentando

Pela graça indizível

dos teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura

dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer

que o grande afeto que te deixo

Não traz o exaspero das lágrimas

nem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras

dos véus da alma...

É um sossego, uma unção,

um transbordamento de carícias

E só te pede que te repouses quieta,

muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite

encontrem sem fatalidade

o olhar estático da aurora.
 
(Vinícius de Moraes)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ainda uma vez amor...




Por que me descobriste no abandono

Com que tortura me arrancaste um beijo

Por que me incendiaste de desejo

Quando eu estava bem, morta de sono



Com que mentira abriste meu segredo

De que romance antigo me roubaste

Com que raio de luz me iluminaste

Quando eu estava bem, morta de medo



Por que não me deixaste adormecida

E me indicaste o mar, com que navio

E me deixaste só, com que saída



Por que desceste ao meu porão sombrio

Com que direito me ensinaste a vida

Quando eu estava bem, morta de frio



(Chico Buarque)
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 29 de maio de 2011

A PATA DA GAZELA

 
  Romance urbano de Alencar, narra de uma maneira simples a história do (des)encontro amoroso entre Amélia e seus dois pretendentes: Leopoldo e Horácio.O primeiro, um iniciante no mundo das paixões, fica encantado por um sorriso que vislumbra durante o trajeto na Rua do Ouvidor.O outro, um belo conquistador, o leão da sociedade carioca, era colecionador de paixões, cortejava as jovens como sendo uma ocupação necessária, o amor era um entretenimento do espírito, como passear a cavalo, frequentar o teatro, jogar uma partilha de bilhar.

    Amélia, deixa-se cortejar,sabedora de que Horácio a deseja como a um troféu,apenas para satisfazer um capricho: descobrir se ela é realmente a sua cinderela, a dona da botina por que ele se encantou.A jovem, cede aos capichos do mancebo num primeiro instante, mas por ser geniosa, subverte a esperteza do rapza e aniquila-o.Ele, acreditando que ela , por não ser a dona da botina, por que ele tanto suspirava, rompe o compromisso formalizado e decide ir atrás de outra caça, a melhor amiga de Amélia: Laura, dona de pés disformes.
     Leopoldo, que acredita que o amor é um encontro de almas, casa-se com Amélia por quem havia suspirado desde o primeiro sorriso que a moça ofereça a ele.

   História que encerra com um final satisfatório conduz o leitor nos (des)caminhos do amor. Eis aqui algumas citações presentes no livro e que terminam por deleitar seus espectadores:

  "O coração é um solo.Vale onde brotam as paixões,como os outros vales da natureza inanimada, ele tem suas estações, suas quadras de aridez, ou de seiva, de esterelidade ou abundância".


  "O casamento quando não une duas almas irmãs criadas uma para a outra, é uma espécie de grilhões que prende dois galés; o suplício de duas existências condenadas a se arrastarem mutuamente".

  "Mas não há despedida cruciante como seja a da alma pelo amor que nutriu durante muito tempo.Há aí mais do que uma separação: é quase a mutilaçõ moral".

  "Ame alguém e não saiba se é retribuído.Toda a sua existência se projeta nesse impulso da alma, que se arroja para outro ser, e anseia por nele  infundir-se.Vive-se fora de si mesmo, alheio a seu próprio eu; como o peregrino perdido lomge da pátria, o home exilado de sua pessoa erra no espaço em demanda de um abrigo".


   "O ódio é a efervescência do amor".

   "O amor fero e irado é como o champanhe que ferve e espuma".

sábado, 28 de maio de 2011

A dor de uma saudade

   






 Como superar a dor de uma saudade?Certo dia, um amigo revelou que não conseguia superar 4 anos de dedicação exclusiva à namorada: os domingos na casa das famílias, os passeios de mãos dadas, as viagens bem ou mal planejadas, enfim cumprira FIELMENTE todas as exigências de uma relação amorosa.Dois adolescentes descobrindo os primeiros passos em direção ao amor.
   Carlos, era brincalhão, se relacionava muito bem com as pessoas e tinha o encanto dos homens espirituosos e terrivelmente sedutores.Ana, por sua vez, não era tão bonita, mas representava um alicerce para ele, uma vez que fora sua primeira e única paixão.
   Ele, que ainda não aprendera a malícia inata a todos os homens, deixou-se surpreender numa bela tarde de verão e Ana encerrou a relação porque o pacto de confiança que havia entre eles havia se partido.Ela saiu batendo a porta e deixando o jovem rapaz desesperado.
   Como consolar Carlos?O que seria das tardes de domingo, dos finais de semana? Ele não sabia caminhar, pois a vida dele estava nas mãos daquela garota com quem aprendera a sonhar.Ele chorou, se desperou, adoeceu, relutou e mesmo assim a garota não voltou atrás na decisão.Estava completamente segura, e , ao contrário do jovem rapaz, ela encontrara outras formas de diversão e  reaprendera a caminhar: CRESCEU!!!
                                                                                                   Socorro Vianna

***





Nas palavras de Chico Buarque:

 


EU TE AMO



Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir



Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que inda posso ir




Se nós, nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir



Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu


Como, se na desordem do armário embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato inda pisa no teu


Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios inda estão nas minhas mãos

Me explica com que cara eu vou sair


Não, acho que estás só fazendo de conta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei de partir



(Chico Buarque)
 
***


       Toda separação é dolorosa, machuca, corrói porque o outro vai embora sem pedir licença. Aquele carinho gostoso que era trocado outrora ,desapareceu. As juras de amor não passam de lembranças de um passado que ficou distante e não adianta GRITAR, SOFRER, SUFOCAR, OU INFARTAR.Seu amor foi embora e não há culpados, a razão desse rompimento não foi a falta de dinheiro, de encanto, de beleza ou porque você não tem o carro do ano. Nossos sentimentos não têm data previamente estabelecida para começar ou terminar.
     Se você perrdeu um amor dessa natureza, chore o quanto tiver vontade, se isole do mundo, vá até o fundo do poço e descubra que lá embaixo tem uma mola que trará você de volta à superfície, só não vale desistir de si mesmo e dos projetos que um dia construiu.Vai doer por alguns dias, meses, ou anos, mas uma hora essa dor há de passar .
   Não faça o outro sofrer insistindo em algo que já terminou, poupe-o desse martírio porque afinal de contas ninguém é obrigado a gostar do outro , não existe meio-termo, ou um homem é o AMOR DA SUA VIDA, por quem seu coração vai bater mais forte cada vez que ele chegar, ou é simplesmente ALGUÉM DE QUEM VOCÊ SE LEMBRARÁ COM MUITO CARINHO e a quem deseja FELICIDADE.Não existem palavras que possam traduzir a dor de uma perda, mas existem mil formas de lidar com ela, basta que escolha o caminho certo.


Socorro Alencar




Um poema, "Perda", estava escrito numa pedra. Tinha três palavras gravadas, que o autor apagara. Não podemos ler a perda, mas podemos senti-la.
(Citação extraída do filme Memórias de uma gueixa)



terça-feira, 10 de maio de 2011

Desabafo de mulher




Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.
Caio F Abreu