quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Gotas de reflexão



"Quando for a hora de ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.Não me envergonharia de pedir o seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim".
                                                                                                                     ( Fernanda Young)



"O vento é o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha.Somente a árvore seca fica imóvel entre borboletas e pássaros".

 (Cecília Meireles)
 
 "O pensamento errou entre mil avenidas , não se deteve em nenhuma;cada dia amadureceu e caiu como um fruto."

(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Só é impossível o que eu ainda não busquei alcançar

             Descobri que sou capaz de criar, cair e inúmeras vezes levantar!Perdemos muito tempo nos lamentando sobre as perdas que tivemos. Muitas noites de sono desperdiçadas,risos que ficaram camuflados em virtude de projetos que fracassaram. Cada queda é uma oportunidade única de crescer e escolher um outro caminho a partir de um atalho que ninguém além de você conhece.Ou ainda é hora de vir á tona seu lado desbravador.
             Desculpe-me , mas não consigo mais carregar a tristeza de quem não está satisfeito com o segundo lugar, se o primeiro lugar ainda não veio é sinal de que é preciso suar mais, me doar mais, insistir mais um pouco, ou ainda pode ser que seja o momento de retroceder, desacelerar.Contar até dez, ouvir a respiração, escutar as batidas do coração.
              Como seria maravilhoso que as derrotas despertassem em nós o desejo de superá-las ao invés de nos levar ao fundo do poço. Por que é tão difícil não receber medalaha de ouro em todos os esportes? Talvez porque as derrotas sejam essenciais ao crescimentos e nos incitem a buscar a superação, embora isso ocorra após muito sofrimento.
              Eureka!!!Estou tão feliz porque descobri que posso realizar até mesmo o que considerava impossível, bastou retirar o prefixo e seguir em frente. Parafrasenado Clarice, se não fosse para voar não teria tirado os pés do chão...

sábado, 10 de setembro de 2011

A TRISTEZA PERMITIDA








Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?



Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.



Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.



A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.



Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.



“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.



Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.



Martha Medeiros